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quarta-feira, 17 de junho de 2015

estratosfera surda

certa vez vi um filme que falava sobre o barulho urbano se aglomerando numa sintonia estranha
que parece música
depois li um livro que citava uma determinada música
não me lembro o nome
e essa música era puro silêncio
não sei, uns 9 minutos de silêncio, onde você encaixava os sons do seu redor
o assovio pro táxi
o escarro
o metrô saindo
a água explodindo o hidrante
a sirene
o trânsito
o choro
a cigarra
os passos
o tiro
o brinde
o tombo na escada
a sacola no vento
o vento
juntos numa nota, ou várias
não entendo nada de arranjos, mas esses caras entenderam
todos os ruídos desconexos da rua são, por determinação de alguém, uma maldita música
que toca sem pausa
e a minha cabeça é uma desgraça
um túnel de lata
não faz um instante de silêncio
eu nem sequer sei mais distinguir a minha voz do seu grito, o seu gemido da tv, a manifestação do tiroteio
deve ser realmente como disseram, a gente é só sonoridade
uma porcaria sonora se aglomerando numa sintonia estranha
que parece música
mas não é

yasmin

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